Tropa de Elite 2 – O Inimigo agora é outro.

22 nov

 

[crítica originalmente publicada no Pink Vader]

Coronel Nascimento está sério e tenso com seu walk-talk na mão. Olhando pelo monitor de vigilância dos corredores de uma penitenciária do Rio de Janeiro, dá instruções para que Mathias surpreendenda os presos que estão em rebelião. Mathias respira fundo, olha pela mira de sua arma, aguardando apenas uma ordem.

Agora o bicho vai pegar.

“Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro” já chega mostrando o que o público quer ver. Afinal, seu antecessor fez sucesso justamente por acompanhar o duro treinamento e as ações espetaculares do BOPE. Com uma enxurrada de frases feitas e figuras que beiravam o “heróico”, o diretor José Padilha e o roteirista Bráulio Montovani acabaram sendo mal interpretados pelo primeiro filme, já que foram chamados de fascista por supostamente vangloriarem a ação do brutal do ex- Capitão e sua gangue do saco contra os traficantes do morro.

A verdade, avaliando o filme friamente, é bem diferente. Padilha por vezes coloca o cidadão na pele do traficante, principalmente na enigmática última cena, onde Mathias aponta a arma diretamente para o espectador. Mas, em um país tão cansado de violência e ávido por justiça, era óbvio que a figura do Capitão Nascimento virou válvula de escape.

Mas dessa vez tudo é diferente. O BOPE é uma instituição desacreditada, jogada as moscas, e Mathias é expulso da corporação e volta pro “batalhão dos corruptos”. Nascimento acaba indo trabalhar na secretaria de segurança pública do Rio de Janeiro, como ele mesmo diz “no coração do sistema”, e de lá tenta resolver os problemas do batalhão. Com ele no comando geral, o BOPE toma conta de todas as favelas do Rio, acabando com o tráfico de drogas. O que ele não esperava era que com os grandes traficantes fora da jogada, os policiais corruptos teriam espaço para tomar conta da favela, com a ajuda de comandantes, deputados e até do próprio governador. Nascimento é esmagado pelo sistema do qual ele agora faz parte, e fica completamente impotente perante a corrupção.

A atuação maravilhosa de Wagner Moura, assim como a excelente montagem de Daniel Rezende, tornam muito perceptível a diferença do Coronel Nascimento em ação, e do Nascimento subsecretário, atrás de uma mesa. A visível depressão do personagem piora a medida que seu desgastado relacionamento com o filho se torna cada vez pior.

Com tanta coisa na cabeça, Nascimento acaba fechando os olhos pra milícia e esquecendo de Mathias, a quem havia prometido ajuda. Aliás, a cena em que Mathias e ele discutem mostra que o próprio Nascimento também se enxerga – através do espelho – como um dos vilões.

As nuances do personagem de Moura são contraponto para outros personagens mais “caricatos”.  É impossível não comparar o chefe da milícia policial Russo (Sandro Rocha) com Dadinho, outro personagem escrito por Montovani.  Os dois têm a mesma ambição de dominar todas as favelas do Rio, e inclusive usam uma mesma frase de efeito para isso. O roteirista não deixa dúvidas de que aqui polícia e bandido são a mesma coisa.

O corrupto Fábio (Milhem Cortaz) e o apresentador de TV / deputado Fortunato (André Mattos) servem de alívio cômico para o longa. As frases feitas de Fábio e a clara sátira que é Fortunato rendem boas risadas. (Atentem que nem Tessália twitess ficou de fora e tem seu “fity-fity” usado como bordão)

O batalhão do BOPE também é apresentado como um único personagem. Frágil e extremamente manipulável, é parte fundamental na discussão política do filme. Quem está por trás das mortes? Quem realmente merece o rótulo de fascista? Durante todo filme o BOPE comete erros, é enganado e usado como segurança particular de Nascimento. E sempre mandado por algum superior. “Eu nunca puxei o gatilho sozinho” constata o coronel sobre seus anos como capitão.

Tropa de Elite 2 tem cenas de violência ainda mais agonizantes e explícitas que o primeiro, mas isso deixou de ser o foco.

É visível que a franquia amadureceu, assim como a discussão que permeia o filme. Não temos mais o clássico embate bandido x mocinho. A liberdade de criação nesse segundo filme (o primeiro foi inspirado no livro “Elite da Tropa”) colaborou para que Bráulio e Padilha deixassem ainda mais clara a sua posição. Nessa história todo mundo é vilão, e o brilhante roteiro coloca o dedo na ferida mais profunda do país, a corrupção.

O filme transforma os heróis do primeiro em joguetes de vilões ainda maiores, levando a discussão para outro nível. Faz o Coronel Nascimento trocar sua arma por uma cadeira em uma CPI, faz o expectador pensar no nosso sistema político, e, depois de jogar toda a merda no ventilador, faz uma pergunta que infelizmente todos nós sabemos a resposta:

No fim das contas, você sabe quem paga por tudo isso?

The Runaways – Garotas do Rock

22 nov

[crítica originalmente publicada no Pink Vader ]

The Runaways foi a primeira banda punk rock inteiramente feminina, formada no final dos anos 70. Seu sucesso meteórico foi marcado por brigas, sexos, drogas, e obviamente, rock and roll da melhor qualidade.

O filme conta a história de Cherie Currie (Dakota Fanning), uma menina que tem como única família sua irmã gêmea, já que seu pai é alcoólatra e sua mãe está mais preocupada com seu novo marido do que com as próprias filhas. Cherie vê sua vida mudar quando o empresário Kim Fowley (Michael Shannon) e a guitarrista Joan Jett ( Kristen Stewart ) a chamam para entrar em sua nova banda.

Baseado em “Neon Angel”, biografia da banda escrita pela própria Cherie, o roteiro adaptado e dirigido pela estreante Floria Sigismondi peca ao se focar no personagem errado. A história clichê de Cherie fica sempre ofuscada pela forte personalidade de Joan Jett. Assim como a atuação de Dakota Fanning que está sempre passos atrás de Kristen Stewart.

Desde que anunciaram que o papel da rainha do rock ficaria com a crepúscula Stewart eu torci o nariz e xinguei todas as gerações dos produtores. Estava completamente enganada!Kristen conseguiu capturar o espírito de Joan e tudo que ela representa para o mundo da música perfeitamente. Sua atuação nos passa todos os problemas e camadas da personalidade conturbada da roqueira, que sofre preconceito de todas as partes, se envolve com drogas e é o coração da banda. Esse é o papel de sua vida.

Já a garota-prodígio do cinema Dakota Fanning, tem problemas em replicar a sexualidade latente de Cherie, o que acaba deixando algumas cenas um pouco forçadas demais. A atriz se perde em seqüências que exigem uma maior profundidade emocional, especialmente as que envolvem drogas. Mesmo se redimindo um pouco nos minutos finais, não é o suficiente para tirar a má impressão deixada por sua atuação. Acredito que grande parte da culpa vem da pouca idade da atriz, que foi chamada para o papel com 15 anos, mesma idade de Cherie quando entrou para The Runaways. O problema com esse preciosismo desnecessário é a falta de experiência de Dakota, que está começando agora sua transição para papéis mais adultos. Jogá-la para interpretar uma sex-bomb punk viciada em drogas é exigir demais, até para uma grande atriz como ela.

A direção de Floria não passa do comum, não conseguindo captar o peso da banda e da história de vida de suas integrantes. The Runaways era sujo, sexy e visceral, coisas que o filme não é. A falta de criatividade de Floria afeta também o roteiro, que tem cenas muito parecidas com as de outros dois longas de banda – os ótimos “Quase Famosos” e “The Wonders” .

O filme acaba por omitir partes importantes da história da banda, deixando quem não é fã com algumas impressões erradas quanto ao que de fato aconteceu. Claro que cinco anos não caberiam em 106 minutos, mas tudo acabou ficando um pouco confuso e simples demais. A banda passou por vários problemas e troca de integrantes ao logo dos anos, além de não ter simplesmente acabado com a saída da vocalista. Aliás, o filme nos deixa a impressão de que a banda durou apenas alguns meses e não anos.

O ponto alto do filme, como não poderia deixar de ser, é a trilha sonora, que vai de Bowie a Suzi Quatro, passando pela discografia da própria banda. Todas as performances do filme foram gravadas – muito bem, diga-se de passagem – pelas próprias atrizes. O figurino e as maquiagens também merecem destaque por sua fidelidade a época e ao estilo das meninas.

Apesar do filme não entregar o que promete, é uma diversão interessante pra quem gosta de música. Já os fãs da banda podem se decepcionar um pouco.

O melhor desse projeto é saber que com a dupla Fanning – Stewart no elenco, o longa tem a oportunidade de levar aos fãs mais novos a história de uma das bandas mais legais da história do rock and roll. E isso já me deixa feliz.

Karate Kid (2010)

30 ago

A base do roteiro continua a mesma: garoto muda de cidade, conhece menina, apanha na escola aprende karate (na verdade, dessa vez é kung fu), luta no torneio, machuca a perna e vence. A única diferença é que dessa vez a história é um pouco mais dramática.

Logo no começo do filme somos apresentados de uma maneira muito sutil e eficiente ao drama na vida de Dre (Jaden Smith).  Na cena vemos o menino olhando para um batente de porta onde estão marcados os grandes acontecimentos de sua vida: começo na escola, primeiro home run, perda do pai e, enquanto vemos essas marcas, os diálogos entre Dre e sua mãe nos fazem entender que ambos estão se mudando para a China.

Portanto temos aí um ponto de partida muito mais tenso do que o do clássico de 84: o menino está em um país novo, sem pai, sem falar (e sem o mínimo interesse em aprender) chinês. O preconceito por ser negro não está explícito, mas é demonstrado muitas vezes, especialmente através da curiosidade que as pessoas têm em tocar no cabelo dele e da mãe. Pra completar, sua mãe não consegue acertar o dia certo que a escola exige que seus alunos usem uniforme, deixando-o assim sempre mais deslocado. Todo o cenário é piorado quando Dre conhece uma menina, Meiying e acaba comprando briga com o valentão da escola Cheng (Zhenwei Wang), que com seu olhar psicótico e cara de mau é muito mais assustador que seu antecessor californiano que infernizava a vida de Daniel Larusso no primeiro Karate Kid.

A salvação de Dre é o “cara da manutenção” do prédio Sr. Han (Jackie Chan), que apesar de sua aparência frágil e derrotada, é um mestre do Kung Fu. O personagem também carrega mais drama em sua vida do que o antigo mestre Sr. Miyagi, permitindo assim que Chan demonstre que, além de grande carisma e já conhecido talento para comédia também é um ótimo ator dramático.

O grande problema fica por parte do trio de atores mirins, que não se saem tão bem em suas interpretações. Mesmo tendo carisma e talento, Jaden Smith parece não ter maturidade para saber lidar com as emoções que seu personagem propõe, fazendo com que algumas cenas importantes para o desenvolvimento do personagem fiquem muito forçadas e ruins. O roteiro também não ajuda o pobre menino, e a tentativa de substituir o famoso “golpe da garça” por uma obsessão mais mística e muito menos aceitável acaba se tornando uma grande palhaçada.

Mas Karate Kid 2010 tem alguns trunfos – a direção de fotografia de Roger Pratt é um deles, apesar da mania de câmera na mão para cenas externas. Há algumas cenas muito bonitas, como a na qual Dre conhece a academia de lutas, que mostra também uma ótima e detalhista direção de arte que através das cores das roupas deixa claro a identificação do garoto com o lugar.

Toda a sequência da academia é muito boa, o olhar de Cheng quando percebe que Dre está na sala é extremamente assustador e o treinador, que nessa versão também tem como bordão “No mercy” (sem piedade), é igualmente macabro.

Outro acerto é a cena da luta de Sr. Han contra os meninos que atormentam a vida de Dre. A coreografia é ótima e conta com movimentos engraçados no melhor estilo Jackie Chan, a fotografia e edição também funcionam muito bem deixando que o espectador aprecie todos os movimentos. Infelizmente essa é a única boa cena de luta do longa, já que no torneio final a inexperiência do diretor Harald Zwart fala mais alto e temos cortes muito rápidos, câmera lenta e efeitos desnecessários, que desviam a atenção das lutas em si. Na verdade toda a seqüência final que deveria ser o ápice do filme é sucessão de escolhas ruins, culminando no último golpe proferido por Dre que é um malabarismo digno de Daiane dos Santos, e que nem com oitocentos anos de treino o garoto conseguiria executar, ainda mais com a perna machucada.

Apesar de ter um roteiro mais desenvolvido e elaborado que seu antecessor, o filme nos deixa com uma sensação de que o original era muito mais cativante, não só por ter atores melhores, mas por ser mais próximo da realidade e mais carismático. Um clássico não está só na história, mas sim na forma em que ela é contada.

Virada Cultural : Dimensão Nerd

26 ago

[Matéria originalmente publicada no Judão em 17/05/10  ]

Metrô de São Paulo, estação da Sé lotada. Em meio ao mar de gente e todo o empurra-empurra, eu e um grupo de amigos fazemos algumas piadas e planejamos a rota para a noite. De repente começa um burburinho e percebo que as pessoas ao meu redor começam a olhar pra trás com cara de espanto, apontar e fazer comentários. “Fodeu, é treta”, pensei, e fiquei na ponta do pé pra conseguir enxergar melhor. Vejo então a multidão abrindo passagem para um grupo de pessoas e percebo qual o motivo das risadinhas: Darth Vader acaba de embarcar em direção a “Palmeiras-Barra Funda”.

A Virada Cultural se tornou, de uns tempos pra cá, o maior acontecimento cultural de São Paulo. Um evento que todo ano move milhões de pessoas para as mais de 700 atrações que acontecem durante 24hrs. Porém, esse ano a virada ganhou personagens diferentes: em meio aos roqueiros, mendigos, playboys, hippies, modernos e tiozões que circulam pelo centro da cidade de madrugada, surge um exército de stormtroopers liderados pelo Darth Vader do metrô e uma princesa Leia, seguidos por alguns trekkers e outros personagens de clássicos Sci-Fi. Seu destino final? A praça Roosevelt, lugar onde este ano aconteceu o “Dimensão Nerd”, atração da Virada destinada aos nerds de São Paulo.

“Isso é pra provar pra todo mundo que não acreditou no evento que nerd sai de casa, SIM!” diz Lu, uma das coordenadoras que corria segurando seu rádio pra cima e pra baixo durante evento, com um certo ar de vitoria. “Foram 4 semanas de muito trabalho e esta dando tudo certo.”

Sim, os nerds saíram de casa e apareceram por lá em peso.

Três espaços – ou andares – formavam o evento: O estacionamento em baixo da praça, onde acontecia uma balada com projeção de filmes e exposição dos trabalhos dos alunos da escola Melies; o vão livre da praça onde estavam os stands, as mesas de RPG e a maioria das atrações; e a parte de cima, que foi o ponto final das paradas e desfiles e onde também ocorreram algumas batalhas e lutas (lutas com espadas e machados — o que atraiu também vários policias para o local, que deve ter sido um dos mais seguros da virada =P).

O evento ganhou um grande destaque na mídia por ser o “diferente” nessa virada, mas em sua maioria são matérias que apenas falam sobre pessoas fantasiadas ou mostram um único lado do evento. O que é quase um crime, pois o que vale a pena mesmo ser falado e registrado do “Dimensão Nerd” é a mistura das “panelinhas” que ocorreu ali no vão da praça. Medievalistas conversando com trekkers enquanto assistiam a uma luta de sabre de luz, potterianos olhando os últimos lançamentos de mangá. Esse era o clima do evento, tudo junto e misturado.

A validação da cultura nerd pela prefeitura de São Paulo é a coroação do “boom” que tivemos nos últimos tempos. Hoje em dia ser nerd é cool. Contudo, o preconceito ainda é muito grande não só com os nerds mas especialmente entre os nerds. “É a primeira vez que o serviço público banca um espaço exclusivo para os nerds. A presença de todas essas “tribos” aqui faz também com que eles percebam que pertencem ao mesmo nicho, e se unindo eles conseguem abrir mais espaço.”, diz Douglas Ricardo Guimarães, um “D´s”, como estavam sendo chamados os produtores/idealizadores do evento e que, no meio da correria toda, conseguiu arranjar um tempinho pra conversar comigo.

Quando eu perguntei a ele se esse tipo de evento colabora para a divulgação da cultura nerd, ele respondeu que “o mercado cultural já foi tomado de assalto pelos nerds, os grandes estouros de bilheteria nos cinemas são coisas diretamente relacionadas a este mundo, e isso com certeza atrai curiosos para eventos como esse. O fato de ser de graça também contribuiu para que pessoas que não pagariam pra ver esse tipo de coisas viessem conhecer. Mas quem é nerd é nerd desde criancinha, está no sangue. Eventos assim ajudam essa galera a se unir, para saberem que não estão sozinhos, e que podem freqüentar eventos maiores e trocar experiências.”

“Feiras como a San Diego Comic – Con e a E3 tem grandes iniciativas privadas por trás, apoio de estúdios e produtoras e tal, que investem nesse tipo de coisa. Aqui no Brasil o mercado existe, mas às vezes, por essa desunião entre as ‘panelinhas’ nerds, cada um prefere ter seu próprio evento voltado apenas para um publico especifico ao invés de se unir para uma coisa maior”, ainda revelou o produtor.

Pra quem tem preconceito com eventos deste tipo, Douglas ainda dá um recado: “é difícil juntar um monte de nerd com opinião bem forte sobre as coisas, sobre o que gosta e o que não gosta, mas hoje a gente teve uma parada estelar: com trekkers e stormtroopers e fãs de Battlestar Galactica; tivemos uma parada mágica: com fãs de Harry Potter, Senhor dos Anéis e medievais; uma de cosplayers: anime e mangá; e uma de Zumbis, vampiros e filmes de horror. Todas saindo do mesmo lugar e terminando no mesmo lugar. Todo mundo se divertiu demais e rolou uma integração muito legal. Quem não veio perdeu uma ÓTIMA batalha de sabre de luz!”

Saí de lá por volta das 4 da manhã com dores nas pernas (andei do final da São João até a praça Roosevelt em 20 minutos!), alguns exemplares de quadrinhos em baixo do braço e com muito mais conhecimento e informação do que quando eu cheguei. Quem não foi perdeu muito mais do que apenas a batalha de sabre de luz. Quem não foi perdeu o que pode ser o primeiro de muitos passos para uma união entre os nerds no Brasil, cada um com seu interesse, mas todos juntos com os mesmo propósitos – que não incluem ir à balada, que ficou o tempo todo vazia. Afinal, em casa ou na Virada Cultural, nerds continuam sendo nerds.

Top5 – Filmes com o mesmo ator em mais de um papel.

3 ago

Olá!

Então estamos aqui pra mais uma coisa diferente, inspirada em alta fidelidade.

A partir de agora, toda semana eu vou tentar trazer pra vocês um  TOP5!

A brincadeira é a seguinte: ordenar os 5 melhores filmes com um tema X, sem poder pesquisar nem consultar o coleguinha. Tem que ser tudo de cabeça e tem que ser filmes que você já viu.

Vamos?

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Tema: Filmes com o mesmo ator em mais de um papel.


Youth in Revolt (2009)

Michael Cera, o queridinho do cinema indie, interpreta Nick Twisp, um menino comum e sem graça que, para conquistar a garota dos seus sonhos acaba desenvolvendo um alter-ego: François, um francês blasé, inteligente e charmoso capaz persuadir Nick a fazer os maiores absurdos para conquistar Sheeni.

Nick e François podiam ter uma dinâmica melhor e ser mais aproveitados, o roteiro deixa muito a desejar. Por não ser tão bom quanto poderia, quinto lugar!

Fanboys (2008)

Em Fanboys um grupo de amigos resolve cruzar os EUA para invadir Rancho Skywalker e assistir antes de todo mundo o Episodio I da Saga StarWars. Seth Rogen interpreta dois personagens coadjuvantes que não tem nada em comum. Um é o líder dos Trekkers (fãs de Star Trek) que tem sua bunda chutada pelos personagens principais, o outro é um cafetão que vai atrás dos meninos.

Rogen está usualmente engraçado nos dois papeis e o filme é muito divertido, especialmente pra quem é fã de StarWars. Como eu sou, então, quarto lugar!

Leaves of Grass (2009)

Filme com uma boa historia, mas mais importante, uma BRILHANTE atuação de Edward Norton, que interpreta os gêmeos Brandy e Bill Kincaid. Um é um caipira maconheiro que só usa seu QI altíssimo para inventar novos métodos para a criação de cannabis, o outro é um PhD professor de universidade, que tem vários trabalhos publicados e é muito respeitado na área acadêmica. Quando Brady arranja problema com os traficantes de sua cidadezinha, é obrigado a enganar seu sério irmão Bill e convencê-lo a ajudar em seu plano mirabolante.

Duas vezes Edward Norton, duas vezes ótimas atuações, terceiro lugar!

Sexto Dia (The 6Th Day – 2000)

Um Arnold Schwarzenegger já é bom, DOIS é GENIAL!

Schawazzy (para os íntimos) é clone dele mesmo nesse filme que, de verdade, nem precisa de mais explicações que isso! E como se não bastasse o roteiro é realmente bom! Lembro que eu assisti no cinema e me surpreendi com a qualidade da historia.

Segundo lugar merecidíssimo!

Eu, minha mulher e minhas cópias (Multiplicity, 1996)

O mega divertido filme, que tem 4 x Michael Keaton no papel principal, conta a historia de Doug Kinney, que de saco cheio de tanto se esforçar para trabalhar, agradar mulher e parentes, e fazer as tarefas da casa, resolve se clonar! Esse é o maior desejo de 10 entre 10 pessoas! Ter um clone pra fazer as coisas chatas por você! O mais legal é que cada clone sai com uma característica especifica da personalidade de Doug, e no fim ele quase perde a mulher pra um deles!

Por realizar um desejo de todo mundo, ser megalomaníaco, e ser uma ótima comedia de sessão da tarde, esse filme mereceu o primeiro lugar!

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Gostaram? Façam os de vocês também! E podem sugerir temas!

Os ciclos da vida.

28 jul

[Uma  pausa nas críticas para um post pessoal.]

Tudo um dia acaba. Os ciclos se fecham. Alguns mais rápido do que gostaríamos, outros no timming perfeito. That’s life.

Por isso, venho comunicar aqui que estou me desligando momentaneamente do Judão. Sei que muitos de vocês, que lêem este blog, me conhecem de lá e por isso deixo aqui essa noticia.

O site me deu grandes oportunidades, conhecimento, e a cima de tudo, amigos. Agradeço a toda a equipe do Judão, espero poder colaborar novamente com vocês num futuro próximo. Os trabalhos passam, mas os amigos ficam! (viu Oda, Morph e Borbs?)

E quanto a vocês, queridos leitores, que sempre me elogiaram e me criticaram, muitíssimo obrigada. Se não fosse por vocês, nada disso faria sentido algum. Espero que vocês continuem passando sempre por aqui. O blog continuará sempre atualizado com minhas críticas, e aguardem, pois logo mais trarei novidades BOMBÁSTICAS!

Pra quem quiser continuar me acompanhando em outros sites, agora estou escrevendo também no S.O.S. Hollywood, a convite do queridíssimo Fábio Barreto.

Predadores

23 jul


O bom argumento, o vilão já conhecido e a produção de Robert Rodriguez , não foram capazes de segurar um roteiro fraco e recheado de clichês. Mas mesmo assim, o papel de diversão esquecível é cumprido com bastante sangue; e lasers! Predadores conta a história de um grupo de pessoas que se veem presas em uma selva sem saber como foram parar lá, nem onde estão, com apenas um fato em comum: todos são “assassinos”. Porém, com o tempo, descoberem que estão no meio de uma caçada, onde eles são a caça e não sabem quem é o caçador.

O roteiro tem uma base que lembra muito os filmes de serial killers como Pânico, em que se sucede uma cadeia de clichês e momentos de suspense completamente previsíveis que incomodam especialmente na primeira parte do filme, onde há uma tentativa de criar um mistério em torno de quem seriam os “caçadores”. No entanto, visto que o filme se chama PREDADORES, não há motivo algum para esse suspense, que só se sustentaria se os personagens fossem carismáticos, o que infelizmente não é o caso.

Além do mistério não tão misterioso assim, os primeiros minutos do filme são destinados a conhecermos os integrantes desse eclético grupo de pessoas. Porém, os personagens apresentados pelo roteiro de Alex Lityak e Michael Finch são superficiais e extremamente desinteressantes. Nem a presença de Danny Trejo – ator considerado cool que poderia ter sido muito mais aproveitado – é suficiente para desenvolver no espectador alguma simpatia. E sabe-se ainda que, pelo que digo desinteressante, em nada estou relacionando com a falta de dados pessoais, como por exemplo, o nome de alguns deles. Como já foi muito bem aplicada por Quentin Tarantino em Cães de Aluguel, esta característica não influencia em nada no desenvolvimento do personagem.

O personagem principal, Royce, vivido por Adrien Brody, é superficial, prepotente e arrogante. 90% de suas falas parecem ter saído de um livro chamado “Como ser um herói durão”. Mas há um momento da trama em que ele cita um poema de Hemingway e vemos que o personagem poderia ser mais denso e com mais camadas de personalidade, mas não o é. O que me faz pensar seriamente na razão de terem escolhido Adrien Brody, que não combina nada com esse tipo de personagem, e não alguém como Jason Statham, que pelo menos seguraria essas falas e a persona de “herói solitário” com alguma propriedade.  Não que a atuação de Brody seja ruim, longe disso. Ele é um ótimo ator e faz o que consegue para dar veracidade ao personagem, mas talvez sua praia não seja essa. As inúmeras frases de efeito na boca de Brody soam falsas e quase irônicas; o ator inclusive diminuiu o tom de sua voz, que ficou muito parecida com a voz do Batman de Christian Bale.

A falta de desenvolvimento emocional dos personagens é também um dos pontos mais fracos do filme, salvos duas exceções: Hanzo (Louis Ozawa) e Noland (Laurence Fishbourne). O primeiro é a prova de que um personagem não precisa de falas para ser profundo e em apenas algumas atitudes e uma ou duas linhas de roteiro vemos muito mais sobre ele do que sobre a personagem de Alice Braga, Isabelle, que tem um grande destaque dentro da história. Aliás, Hanzo protagoniza algumas das melhores e mais bonitas cenas do filme.

Já Noland é um dos grandes trunfos do filme, que parece começar a caminhar bem melhor depois de sua aparição, ainda que rápida. O personagem de Laurence Fishbourne tem um amigo imaginário e vários inimigos reais, e parece ser o único são e inteligente da trama.Por outro lado, mesmo com todas as pontas soltas do roteiro, o mais absurdo é o personagem Edwin (Topher Grace), que sofre uma reviravolta extremamente desnecessária e sem significado que faz você ficar com aquela cara de interrogação: “Hã?”.

Apesar de tudo isso, quando o filme começa a descambar para a “porradaria” propriamente dita, as coisas melhoram.  Nesse momento a linguagem de filmes de serial killers fica ainda mais evidente (inclusive a clássica burrice dos personagens que te faz gritar coisas do tipo “não entra aí, seu idiota!” ou “pega o disfarce dele!”) e funciona um pouco melhor. Além do que, não há como negar que ação desse tipo, por mais farofa que seja, é sempre divertido.

Pra quem é fã do primeiro filme da franquia, não se preocupe, você não irá se decepcionar com as cenas de ação: temos predadores arrancando a espinha dorsal de humanos, e muitas referências ao filme estrelado por Schwarzenegger (inclusive sua história é contada por uma das personagens). A direção de Nimród Antal é competente e discreta e a fotografia tem momentos bastante inspirados – como, por exemplo, a cena da luta de Hanzo, a queda da cachoeira ou a cena de Edwin com os sinalizadores. Os efeitos especiais e de maquiagem são absolutamente fantásticos, especialmente a invisibilidade dos predadores.

No geral, o filme é divertido, mas extremamente esquecível. Não espere um suspense inteligente ou uma boa história, apenas compre uma pipoca e se divirta com sangue e explosões patrocinados pelo bicho mais feio da história do cinema

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